Monday, February 6, 2012

Boa oportunidade para jovens que são (ou querem ser) escritores e que conhecem a língua portuguesa.

The 2012 Susan Sontag Prize for Translation
$5,000 grant for a literary translation from Portuguese into English:
PLEASE NOTE: The deadline is March 9, 2012.
This $5,000 grant will be awarded to a proposed work of literary translation from Portuguese into English and is open to anyone under the age of 30. The translation must fall under the category of fiction or letters, and the applicant will propose his or her own translation project. The project should be manageable for a five-month period of work, as the grant will be awarded in June 2012,and the translation must be completed by October 2012.   
Acceptable proposals include a novella, a play, a collection of short stories or poems, or a collection of letters that have literary import. Preference will be given to works that have not been previously translated. (Previously translated works will be considered, however applicants should include an explanation for why they are proposing a new translation.) Applicants wishing to translate significantly longer works should contact the Foundation before sending in their applications so that supplementary materials can be included. The prizewinner will be notified on June 1, 2012 and results will be announced online at www.susansontag.org.
The recipient will be expected to participate in symposia on literary translation with established writers and translators, as well as public readings of their work once the translation has been completed.
Application Requirements (Please download the official application online at www.susansontag.org.) All applications must include three copies of the following:   
• Application Cover Sheet (available online at www.susansontag.org)
• Personal Statement (2 pages maximum) explaining your interest and background in literature the source language
• Project proposal (2 pages maximum)outlining the work and describing its importance
• 5 page sample translation of the proposed work from the source language into English
• The same passage in the original language
• A bio-bibliography of the author (including information on previous translations of his or her work into English)
• One academic letter of recommendation
• Official transcript from your current or most recent academic institution
All applications must be submitted via regular mail to the Foundation address:
Susan Sontag Foundation
76 Franklin St. #3
NY, NY 10013
All application materials must be received by March 9, 2012.
The fine print: Applicants must be under the age of 30 on the date the prizewinner will be announced:June 1, 2012. By submitting work to the Susan Sontag Foundation, the applicant acknowledges the right of the Foundation to use the accepted work in its publications, on its website,and for educational and promotional purposes related to the Foundation. Please note that application materials cannot be returned to applicants.

Tuesday, January 24, 2012

Curta reflexão sobre o abraço: tirada do fundo do baú


Estava em busca de um papel antigo e , como sempre, achei outros que não procurava. Entre eles um diário, caderninho de capa dura, que usei durante meus primeiros anos nos Estados Unidos. Nele, em meio a anotações de uma aula de literatura espanhola, em 26 de outubro de 2000, encontro esta notinha, que eu reproduzo abaixo quase na íntegra. Eu prenchi as lacunas oferecidas por meu manuscrito torto. Preencher lacunas, aliás, é criação de memória, mas espero não ter alterado demais o que, naquele momento, buscava expressar.

Queria começar uma história com: “Trocamos um longo e mudo abraço…”. Mas reflito que nenhum abraço é mudo. Pode conter, no gesto em si, um milhão de palavras. Pode suprimi-las, substituí-las, representá-las, evitá-las ou, quem sabe, motiva-las.  Pode, sem dúvida, inspirá-las. Um abraço não prescinde de palavras, mas contém linguagem; uma que se aprende e se apreende no ato de abraçar ou no sentimento abissal de sua carência. A sábia Raquel, mulher que abraça o mundo, diz que há gente que não sabe abraçar. Seria eu uma delas, minha brava irmã? Pois então quero ser aprendiz de abraço. De abraço que não é só envolver os braços em torno de alguém ou se deixar envolver por braços alheios.

Um abraço (de eterna aprendiz) a todos!

Tuesday, January 10, 2012

Reflecting on religion (or non religion)

This past semester, my son's school adopted world's religion as the main theme of discussions. Students from all the grades were presented with information from faiths and rituals around the planet. Then, during their usual end of the year performance, they gave us all a sample of their findings. We, the parents, were invited to send stories about our own family religion and rituals. The best stories would be selected to be read on the day of the performance. Of course, since we are not religious, I understood my input would not be the one they had in mind... However, some days before the show, the school sent out a message encouraging everybody to send a reflection, even if not a conventional one. The text below is the one I submitted. It was rejected. According to the teacher responsible for the selection, because did not represent most of the families there. But he said he liked my point... Well, in any case, I decided to post the text here. Maybe there other people out there with similar views. Maybe not. It is just a reflection, as most of my posts here, anyway.


I am not sure if a family with no religion can tell a story about religion. In any case, even though we don’t have religion we have religiosity. A lot of people are not familiar with this, and then we try to explain it:  For those of us, mysterious people without religion, God is not a figure with a single human face. In our small family we don’t believe we are made in God’s image. On the contrary, we believe that God is made in our image. This way if we are good, God is going to be good too. Even if we don’t look physically the way a lot of people see God, we can still be part of God, and he or she can have some of our ethnical features too. After all, for us God is a sum of every person’s spirituality and image.

Every single person is responsible for making the human kind into something really divine. If we, the people of the world, want to make a good, caring God, we need to try everyday to be better people. We should not expect passively that God will take care of us, but we have to take care of God. If we hurt another person or if we hurt the environment, we are also contributing to a bad spiritual community and then a bad, selfish God.

As one can expect, in our house we do not conventionally pray; however every single evening, at dinner time, we share a ritual in which we offer our thoughts to a person we love, or a cause we believe, maybe to someone who is in need of help, or someone who passed away and left a lot of memories and examples. Sometimes we simply honor one of our achievements, even a small one, and friends and family birthdays, too. But we also include, in our evening thoughts at the table, people from other parts of the world. This way, Andre will understand that populations around the world have needs, fears, problems and hope and happiness just like we have.

Our religiosity has no dogmas, and we do not envision heaven or hell. We think our spiritual energy one day will be back to this collective, universal energy, or, if one prefers, back to God.

Tuesday, October 11, 2011

Eu não dou conta… Demorou todo esse tempo pra eu admitir. Primeiro muito pra dentro, de um jeito que até pra mim, dentro de mim, era difícil escutar. Depois, com essa dor de cabeça demolidora que me domina nos últimos dias, fui meio que suspirando. Não dou conta de preparar as aulas, ser boa professora, ser sorridente, entusiasmada, inteligente... Ser boa mãe, eficiente, carinhosa, severa na medida, sábia e compreensiva. Não dou conta de ser mulher de homem tão lindo, tão pleno, tão meu. Não dou conta de manter o chão minimamante limpo, os livros lidos, a roupa no lugar, os artigos escritos, a cozinha impecável, o currículo atualizado, a vida analisada. Não dou conta de buscar e conseguir um emprego melhor, que me faça sentir mais digna, mais importante. Eu não dou conta nem de chorar, porque isso a tal maturidade também levou de mim. Desaprendi a chorar. Vai ver que por isso toda mulher dessa idade, dessa certa idade, vira meio bruxa. Vira lenda, vira bicho... e tudo o que eu sonhava era tão somente virar a mesa. Essa mesa que me mantém aqui, me sufocando, instigando e lembrando que eu não dou conta...

Wednesday, August 3, 2011

Noite na Espanha


Uma história familiar para ninar el niño

Algumas noites atrás, por falta de histórias novas, meu filho, um pequeno devorador de livros, me pediu pra inventar uma história qualquer. Eu, que em outros tempos me virava em conto, a troco de qualquer ideia, por besta que fosse, me vi em apuros. A criatividade tem minguado, bem sei. E com meu menino estendendo seus olhos grandes , na expectativa de uma boa história, me intimido. Às vezes capitulo. Proponho uma canção, assim já pronta, que eu simplesmente cante, na minha voz hesitante, e vez por outra fora de tom, mas que já está no repertório da casa, na ponta da língua. Aquela noite, porém, era diferente. Estávamos cansados do dia intenso de passeios em Granada,cidade- estrela da Andaluzia. Depois de um banquete de vistas a partir das torres dos castelos; de subir e descer escadarias e ruas de pedra, descansávamos numa casinha branca, encrustada num vale na vila de Pinos Genil, uns poucos quilômetros fora de Granada. Isso tudo, sim, inspirava história.

Uma das vistas de Granada, a partir de Alhambra
Eu e André, na simpática vila de Pinos Genil.
Foi então que decidi pela primeira vez contar ao André um outro tipo de ficção; uma história que ouvi muitas vezes durante a infância, provavelmente aumentada ou alterada, mas que de tanto ouvir foi se desenhando como fato na minha cabeça, sem nunca perder um gostinho de mito, um certo encantamento dos contos de fada. Vir a Granada, afinal, era o que eu precisava para depois de todos estes anos me reencontrar com esse conto familiar e reparti-lo com meu filho.
De alguma parte dessa Granada velha, caliente, convidativa vieram meus bisavós,Christóban e Francisca, pais de meu avô materno. Provavelmente porque o bisavô morreu quando meu avô era ainda muito menino, pouco figurava nas histórias recontadas. Era como se nosso vínculo com a Espanha viesse somente da bisavó. Ela que morreria bem mais tarde, mas antes do meu nascimento. Ela que, de fato, morreu há exatos 50 anos, e que por muito tempo alimentou as fantasias desses bisnetos que ela nunca chegou a conhecer.
Foi sempre sobre ela, a “Vó Chica”, que ouvimos falar:  uma mulher forte, não exatamente amada por todos;  uma matriarca durona cuja autoridade fazia tremer os três varões, seus filhos, um deles meu avô querido.
Vó Chica teria sido uma espécie de viúva negra: casou-se três vezes e três vezes enviuvou, criando os filhos sozinha. Contam que ela amava Christóban, nosso bisavô, mas que ele não era o eleito da família. Diante da oposição familiar, ela teria então se casado com um toureiro, o qual morreria vítima de um touro, já no primeiro ano do casamento. Graças  aos humores do tal touro, Francisca, então viúva e sem filhos, teria finalmente se casado com Christóban, segundo nossa lenda familiar, sua verdadeira paixão.  Do casamento nasceu o primeiro filho, Sebastião (imagino que Sebastian, tenha sido seu nome originalmente) e pouco tempo depois, por razões que nunca constaram das nossas histórias, a pequena família rumaria para o longínquo Brasil. Diz-se que, à época, vó Chica já trazia no ventre o segundo filho, meu avô, Antônio, que nasceu em abril de  1917 em terras brasileiras, mais precisamente na cidade de Santos, onde o navio que trouxera sua família aportara.
 Meu avô contava que em Santos morou no Morro Mont Serrat e que enquanto a mãe lavava roupas para fora, o pai carregava de tudo nas docas do Porto de Santos, em torno do qual a vida dos moradores do morro em grande parte girava. Meu avô não se lembrava do pai, mas tinha ouvido que ele bebia muito, e como em vez de escrever poesias levava peso nas costas, o álcool e as noites no cais não faziam dele exatamente um herói romântico.  Mas como um poeta finissecular boêmio, o bisavô teria morrido de um mal do pulmão.
Ao que consta, enquanto Christóban trabalhava nas docas do Porto de Santos, a mulher lavava roupas para fora. Uma pesquisa rápida mostrou que desde o fim do século XIX, até as primeiras décadas do século XX, Santos era conhecida como a “Barcelona brasileira”, tal era o número de espanhóis na cidade, proporcionalmente em relação ao resto do país. Uma das razões cogitadas para isso é que os espanhóis, ao contrário dos imigrantes italianos, por exemplo, eram citadinos. Teriam vindo em busca de fazer fortuna ou pelo menos refazer a vida em atividades urbanas. Tal como Christóban e Francisca, muitos dos moradores do morro trabalhavam no porto ou prestavam serviços como a lavagem de roupas. Descobri também que o Monte Serrat, morro santista onde viveram meus antepassados, era dividido por espanhóis e portugueses, na maioria. Talvez por isso, quando se casou pela terceira vez, tenha sido um português o marido escolhido por Vó Chica. Foi a ele que meu avô conheceu como pai e com ele vó Chica teria seu terceiro filho, outro Antônio! Único caso que conheço de irmãos que têm o mesmo nome... Diz a lenda que o marido português queria um filho Antônio e como meu avô não era seu filho biológico, não valia… Eu me lembro bem deste tio-avô que conhecíamos por Tio Russo. Como ele era bem mais claro que os irmãos, ficou assim designado. A alcunha, ainda que estranha, deve ter facilitado a vida da família, com seus dois Antônios...
Não se sabe bem quais as razões, mas a família aumentada deixaria Santos, com sua extensa comunidade espanhola, e como tantos agricultores rumaria para o oeste paulista. Mas sei que o terceiro casamento também não durou muito, porque o tétano, naquela época ainda ameaçador, clamou a vida do português e levou Vó Chica à sua terceira viuvez. 
Foi em Araçatuba, a terra do "boi gordo", lavando e engomando pra fora, que ela criou os filhos. Sentindo o calor que faz no verão de Granada, imagino que o calorão de Araçatuba não tenha intimidado minha destemida bisavó; me enche de tristeza, porém, pensar que ela jamais pousou os olhos novamente na beleza dessa sua terra natal. Eu não tenho dúvida que ela fez do Brasil, seja  em Santos seja em Araçatuba, sua pátria. Sempre nos fizeram crer que seu pragmatismo não deixava espaço para saudades e devaneios e isso, de alguma forma, me conforta. Ao morrer, a matriarca que usava o cabelo trançado preso na altura da nuca, deixou uma casa para cada filho: uma propriedade ao lado da outra. A casa menor para o filho caçula, que tinha só dois filhos, e a maior para meu avô, pai de 12 crianças!
Enquanto André adormecia pensando nessa história tão distante que parecia ter saído de um dos castelos de Alhambra, eu ouvia Genil, o riozinho que corta o pueblo. Em vez de prece, ofereci esse canto do rio e sua brisa à memória de Vó Chica, cujo legado dividi com meu filho,  na terra onde ela nasceu.

Monday, July 4, 2011

O anti-diário de Lisboa

Palavras e monumentos

Eu e nosso amigo, Craig, em frente ao imponente 
D. José I, na Praça do Comércio,
a mais linda de Lisboa.Foto: Derek Pardue
Monumento original em pedra, de autoria de António Teixeira Lopes, que homenageia Eça deQueirós. Chama-se “Verdade” e teria sido livremente  inspirado em uma frase do próprio Eça, de A Relíquia: «Sobre a nudez forte da verdade, o manto diáfano da fantasia». A verdade, neste caso,é representada por um sensual corpo de mulher. Foi inaugurada em 1903, mas anos atrás a obra foi vandalizada e recolhida de seu sítio original, à Praça Barão de Quintela, na Rua do Alecrim, e levada para restauro no Museu da Cidade. Hoje restaurada, continua lá, enquanto uma réplica em bronze ocupa o espaço da Barão de Quintela. Foto: Derek Pardue




Um Narciso se mira no laguinho do Jardim da Estrela. Foto: Selma Vital

Um pavão de verdade, 
brincando de estátua. 
No Museu da Cidade. Foto: Derek Pardue

 
Eu tenho prestado muita atenção às palavras. Por grande parte da minha vida o tenho feito, é certo. Mas nessa temporada em Lisboa, minha obsessão tem chegado a novos níveis. Mesmo assim, registrar minhas descobertas, encantamentos, dúvidas parece impossível por palavras. Essa é a grande questão que me aflige. De novo, um questionamento (e uma aflição?)que vem de longe e que se renova, muda de intenções, se carrega de outras perguntas e poucas, bem poucas, respostas.
Talvez eu devesse renunciar à pretensão de registrar meus dias aqui com algum glamour. O céu da cidade, seus becos, ruelas, e o Tejo azul sempre à espreita (ou a ser espreitado), dispensam tradução. Ou será que gritam por ela? O que os turistas alemães estarão escrevendo em seus diários de viagem? E os franceses, oui? Ai pobre de mim,  pensar que as pessoas ainda escrevem diários. Mas escrevem blogs e text messages ou pequenas notas a si próprios, tenho visto. Fotos de tudo, de cada curva tremulante de dentro e de fora do bondinho elétrico, cada pequena excentricidade dessa cidade velha, que não se dá por isso. Eu gosto de observar os ângulos e os motivos para os quais os turistas lançam seus cliques gulosos. Enquanto eles miram as câmeras modernas, eu mantenho o foco neles,  com esses meus olhos míopes e já antigos, bem guardados atrás dos óculos de sol.
No último mês, todo dia, sem exagero, tenho visto, sentido, algo que deveria ser posto no “papel” e me desculpo, enrolo e deixo a chance passar até que a memória não me venha mais em frases, somente em imagens desvanecidas. E não se pode falar desse lugar em pálidas pinceladas. Quem sabe toda tentativa de “contar” a cidade seja isso, somente, um borrão da realidade.
Que difícil transformar as sólidas pedras dos castelos e suas torres agudas numa pintura impressionista. A abstração, no entanto, parece só minha. Há estátuas por toda parte. Parecem revelar uma certa  obsessão. Ibérica?  São heróis, poetas, desbravadores, “descobridores”. Quase todos homens. Estátuas femininas são na maioria imagens semi- nuas, ninfas, silhuetas arredondadas ao estilo das deusas gregas ou romanas.Mas há a cabeça em bronze , sem poesia, de Sophia Breyner Andresen , solitária, eternamente vigiando o Tejo, ao pé (como dizem aqui...) da igreja da Graça. E enquanto há aqueles monumentos imponentes, homens pra sempre aprumados em seus cavalos de bronze carcomidos pelo coco dos pombos, como um o D. Pedro IV varonil ao centro de uma praça, --que no Brasil foi o nosso imperador/libertador, Pedro I –há João de Deus, surpreendentemente pequenino e carrancudo, em seu terno de poeta, sentinela do bonito Jardim da Estrela.
Quem sabe se pudesse contar a história dessa cidade pelas suas estátuas e monumentos. Seus tributos de ferro e bronze que nos lembram a todo instante, na formalidade de seu porte e na decadência de sua estrutura, o quanto esse país, ainda hoje, se faz de nostalgia.
Aqui, agora, eu vejo um rasguinho de lago e mesmo cercada de árvores, de patos endoidecidos pela provocação dos “miúdos”, cantando ou simplesmente se fazendo ouvir, ainda me chega o som abafado dos carros e dos aviões que passam rente ao jardim, alguns já com as rodas de pouso baixadas, prontas para a aterrissagem. “Uma ilha verde no meio da cidade”, eu respondo a um grupo de crianças que acaba de me entrevistar. Elas olham desconfiadas.  Uma mulher solitária, como a cabeça da poetisa Sophia, mas com sotaque inconfundivelmente brasileiro, teclando seu lap top sem poesia à sombra dessas árvores portuguesas. Em busca, claro, de palavras. De palavras-monumentos Não, de palavras simplesmente.

Friday, April 22, 2011

Ao Redor do Mundo: Leituras em Português

Acaba de sair um livro que reúne textos de professores de português, estudantes e gente interessada no aprendizado da língua e da cultura lusófona, em geral. Para comprar ou simplesmente saber mais sobre o livro, clique aqui . O livro sai pela Atlantico Books, cuja dona, Elena Como, é apaixonada pela nossa cultura e nossa língua, aparentemente em todas as suas variantes.

A ideia é que o livro sirva como um reader  para alunos de português nos Estados Unidos e embora cada texto tenha um tom e um tema, a diversidade parece interessante, porque oferece várias formas de uso em sala de aula. Eu também contribuí com um texto, uma amostra de uma pesquisa que iniciei com uma bolsa, David Rockefeller Center for Latin American Studies Library Scholar Summer Grant, em 2009, que me permitiu ficar um mês em Boston, acessando as coleções das bibliotecas de Harvard. O texto se chama “Homens de letras, mulheres de papel: a delicada relação entre escritores e leitoras no Brasil do século XIX”e,  embora o tema seja acadêmico, eu me esforcei para que a leitura fosse bem acessível .Espero ter acertado a mão. Mas há, como disse, narrativas de gêneros distintos e para diferentes gôstos.

Este é o segundo livro lançado pela Elena e eu espero que o trabalho possa se profissionalizar mais e mais, abrindo espaço para várias outras publicações.Quem ensina português por aqui sabe que a carência de material didático ainda é grande na nossa área. Um outro detalhe superlegal é que a capa do livro é de Anne Popiel, uma ex-aluna que além de línguas e arte, ainda navega por filosofia e dança. Confira!