Eu quase que nada não sei. Mas desconfio de muita coisa. O senhor concedendo, eu digo: para pensar longe, sou cão mestre - o senhor solte em minha frente uma ideia ligeira, e eu rastreio essa por fundo de todos os matos. Amém! (Riobaldo, em Grande Sertão Veredas, João Guimarães Rosa)
Monday, November 23, 2015
The Job Interview
Are you familiar with the world of job searching? No matter how distant our professions are from one another, I'm sure we can relate to a bunch of weird things...
In this new post at Niume, I tell some experiences that now became stories. Please, read my text here , comment and/or share your own stories.
Greetings!
Tuesday, November 17, 2015
A bike e eu: pedalar é preciso!
Dar-se conta do próprio processo de envelhecimento e reaprender a andar de bicicleta parecem duas categorias bem distintas. Mas se ambas pedem por equilíbrio e paciência, por que não refletir sobre ambas no mesmo texto?
É isso o que tento fazer no texto fresquinho publicado no Medium. Vem pedalar comigo, aqui e se curtir o passeio, me avise.Monday, November 2, 2015
Crônica da janela
Publiquei essa pequena crônica uns meses atrás e aproveito para compartilhá-la aqui agora. Suas impressões são, como sempre, bem-vindas/
Saudações!
Saudações!
Wednesday, September 30, 2015
O presente que a gente não pediu...mas recebeu
Você já passou por isso? Leva uma resposta atravessada e, sem mais nem por que, deixa esse detalhe besta estragar seu dia? Já se perguntou por que isso acontece?
É disso que trato em post novo https://medium.com/@Mimanow/o-presente-que-a-gente-n%C3%A3o-pediu-mas-recebeu-aa41ff9bfb0f no Medium.
Por favor, leia e se gostar recomende-o pressionando o coraçãozinho ao final. Gostando ou não, deixe lá suas impressões.
Saudações!
Wednesday, September 9, 2015
Estreia no Medium
Por favor, leia meu primeiro texto na plataforma Medium e se gostar aperte o coraçãozinho ao final. O tempo de cada coisa
Valeu!
Valeu!
Monday, August 18, 2014
Existe amor em SP
Fazendo as pazes com minha cidade, ou parte dela
![]() |
| Foto de Daniel Mitsuo, Vale do Anhangabaú, 2009, https://flic.kr/p/7fCbCd |
Sou paulistana, nasci no Ipiranga, passei a primeira
infância na parte velha do Brás e também ali, onde hoje fica a estação Bresser
do metrô. Com a expansão da cidade, a especulação imobiliária e as muitas
crises econômicas que assombraram o país, minha família foi sendo empurrada
para o lado leste da metrópole, no meio dos anos 70, fase dura da ruína do
chamado “milagre econômico”. Já adulta,
lancei âncora na Vila Mariana, até que
mudasse de vez para os Estados Unidos já se vão 16 anos.
Estando fora, como se pode imaginar, a gente se sente mais
brasileira. Só que para quem nos vê de longe, parecemos o mesmo. Pouca gente suspeita
que a cidade que te formou tem uma influência forte no seu jeito de ser
brasileiro ou brasileira. Eu fui aos poucos percebendo isso. Enquanto tentava
digerir minha ambiguidade, meu amor e ódio por essa cidade opressiva, fui
mais e mais me convencendo de que esta desvairada, apesar de cinzenta e
sufocante, é de uma singularidade avassaladora. E não reclame se pareço ter
usado adjetivos demais. Nada traduz mais São Paulo do que os excessos. Excesso
de gente, de carros, de prédios, de problemas…Mas também fartura de coisas para
fazer, ver, comer, entender, conhecer e, por que não, reconhecer… Foi
exatamente isso o que fiz nesta última estada paulistana, num inverno típico de
aquecimento global, em que o agasalho ficava no fundo da bolsa, enquanto eu
cruzava a cidade sob um calor de 29 graus!
Depois de tantos anos, fui me instalar em plena rua da
Consolação, na sua parte mais central, quase esquina com a curta mas imponente
Avenida São Luís e muito perto do prédio que já abrigou o Estadão e o defunto
Diário Popular, onde eu mesma trabalhei por dois anos, numa outra vida.
Tal qual uma mocinha recém-chegada do interior, me vi
deslumbrada com a intensidade do centro. Investida de olhos de turista e
curiosidade descompromissada, me vi um dia sair sob o sol matinal e caminhar
até a Praça Roosevelt. Observei gente jovem com e sem skate. Bem
perto da tribo de skatistas, encontrei uma roda de senhoras com seus cachorrinhos,
numa familiaridade que denuncia que as reuniões devem ser cotidianas. Quase não
reconheci a praça voltando lá numa noite fria e chuvosa, para ver uma peça de
teatro no Espaço Parlapatões e fechar a noite tomando sopa e cachaça mineira no
Papo, Pinga e Petisco.
Nosso programa familiar favorito era andar algumas tardes, cruzando o
viaduto do Chá, pra tomar cafezinho acompanhado dos doces portugueses da Casa
Mathilde, lá no centro velho. Num dia
qualquer, em que tivemos a chance de passear sem nosso filho, fizemos programa
mais adulto: almoçamos no café do Teatro Municipal e de lá caminhamos até o
Correio Central para uma exposição gratuita sobre o trabalho de Dorival Caymmi,
onde eu me permiti brincar de cantora de rádio.
Encontramos amigos para compartilhar nosso achado: um restaurante
tradicional, o Itamarati, também no centro velho. Comida boa, garçons gentis e graças
à media de idade da clientela presente, o doce sentimento de que, afinal, não
somos os únicos a envelhecer nesse mundo…
Para lembrar dos meus roteiros nos anos 80, foi bom também
rever a Galeria Metrópole, um projeto arquitetônico do qual ninguém fala,
talvez porque fique ali tão perto do famoso Copan. Aliás, lá, numa outra das
poucas noites invernais, fomos provar do cardápio do Bar Dona Onça, uma pedida
um tanto estranha para uma família que não come carne vermelha. Mas uma experiência
interessante, sem dúvida.
Rever os corredores e colunas da Biblioteca Mário de Andrade
também me remeteu a outros momentos da minha biografia e me fez questionar por
que não constróem um café naquele pátio tão simpático? O próprio Mário de
Andrade, tenho certeza, aprovaria!
Nessas semanas brincando de turista em minha própria cidade,
descobri bequinhos, lugares insólitos, vistas que devem ter passado despercebidas: um
restaurante por quilo, do qual se vê a Câmara Municipal, uma ruela-ladeira que
sai da Rua Santo Amaro, um pastel de feira na Major Quedinho e o clima festivo
da noite na Rua Avanhandava, bem mais simpatico que os preços exorbitantes das
famosas pastas do Famiglia Mancini. Disposta à reflexão, fiquei feliz até mesmo
avistando o pátio interno do Shopping Light, que um dia abrigou a companhia de
luz de mesmo nome, tomando um cafezinho no Grão Espresso.
Acho que essa cidade louca está tentando me convencer de que
tenho por ela mais amor do que ódio: ter o Belas Artes reinaugurado
exatamente agora? E ter exposição gratuita de Os Gêmeos na Barra Funda? E o
documentário Cidade Cinza, também de graça, no Frei Caneca? Tomo café (outro!) na Pinacoteca, incrédula sobre a sobrevivência daquelas árvores tão velhas do
Jardim da Luz. Aliás, na Xavier de Toledo tem uma árvore que deu flor em julho!
Muita flor, numa cidade seca e poluída! Diz uma amiga minha que as árvores paulistanas produzem flores por stress. É a reação delas às agressões diárias. As árvores, mais
sábias, devem ter entendido o que só agora posso suspeitar…Afinal, que me perdoe o Criolo, de quem sou fã, mas, sim, existe amor
em SP. E que a cidade continue florescendo...
Thursday, December 26, 2013
Mais um pôr de sol
![]() |
| Quando saí pra tirar a foto, já era tarde demais...O sol já tinha se acomodado inteiramente atrás da montanha. Num piscar de olhos... E logo a noite foi caindo. |
Enquanto escrevo esse ‘post’, eu posso ver o sol
literalmente se escondendo atrás da montanha. Uma imagem recorrente, do jeito
que eu costumava desenhá-la quando era criança. Minhas casinhas eram sempre as
mesmas e sempre havia uma montanha. Por
trás dela o sol ia descendo. O sol que vejo agora é lindamente real e vai
escorregando atrás de uma montanha igualmente linda e real. O sol que vejo
agora não tem nada daquele laranja dos meus desenhos infantis. Vai ver que é
porque meus olhos reproduziam com lápis de cor o sol tropical do Brasil e este
aqui, sol invernal, do hemisfério norte, tem seu próprio tom e brilho.
Eu sempre fui fascinada por pôr-do-sol. Lembro, muitos anos
atrás, de uma passagem de ano em que fui para Cabo Frio. Fui com uma amiga e de
lá visitamos as cidades praianas mais próximas. Presenciamos um crepúsculo fantástico
em Saquarema . Eu, com minha Kodak vagabunda, fui fotogrando o sol até ele
desaparecer. Na volta, mostrando orgulhosa minhas fotos aos amigos, eles
perguntavam rindo: “Mas parecem todas a mesma coisa”. Eu olhava indignada: como
é que eles não percebiam que em cada uma delas havia menos sol aparecendo e que
a cada minuto toda a luz em volta se modificava também. Talvez o mistério dessa
falta de percepção tivesse mais a ver com a má qualidade da minha câmera do que
com a sensibilidade dos observadores. Ainda assim, eu logo percebi que nem todo
mundo tem o mesmo interesse pelo pôr-do-sol. E que eu nunca poderia, mesmo
quando eu tive acesso a câmeras melhores, reproduzir em fotografia a emoção que
ver um pôr do sol me causava.
Uma vez alguém me disse que pôr-do-sol é deprimente. Quando
o sol se põe, o dia morre. O argumento era que melhor mesmo é ver o nascer do
sol: ver o dia começando cheio de promessa e a luz gradativamente preenchendo o
espaço. Para ser sincera, poucas vezes na vida vi o dia raiando. Não sou
voluntariamente uma pessoa da manhã e já faz tempo que não passo a noite
acordada pra surpreender o despertar de um novo dia. Imagino que o raiar do sol
seja algo também fascinante, mas discordo que o pôr do sol seja triste.
Coincidentemente, minha estação do ano favorita nos Estados Unidos é o outono.
Este semestre um aluno fez observação parecida sobre minha preferência. Ele me
lembrou que no outono tudo morre; as folhas caem, o verde desaparece. Tudo que era
vívido e brilhante vai se desvanecendo. Foi então que me dei conta que meu
gosto pelo pôr do sol e pelo outono tinham algo em comum. Não, não me acho
mórbida. Muito ao contrário. Embora eu sempre tenha visto a tristeza como algo
necessário e pessoal. Defendo o direito irrestrito de todo ser humano a sua
própria tristeza. Não suporto a obrigação de ser alegre todo o tempo, o tempo
todo.
Quando o sol se põe eu sei que ele há de surgir amanhã
novamente. Mas se ele nunca se pusesse a gente não poderia apreciar sua
partida. Não há novo dia sem que se passe pela noite. Eu tenho a mesma sensação
com relação ao outono. As folhas mudando de cor e as árvores pouco a pouco se
despindo dão um tom melancólico à paisagem. Ao mesmo tempo, anunciam o fim de
um ciclo para o começo de outro.
Quero crer que o final do ano possa provocar sentimento
parecido. Que esse aparente final, tantas vezes repetido e celebrado, seja
prenúncio de coisas novas e melhores. Quero apreciar também esses últimos “raios
de sol” e estar atenta à beleza da noite. Quero receber o raiar do novo ano de braços e
olhos bem abertos, porque logo, logo ele, também, há de escorregar por trás da montanha.
Feliz Ano Novo!
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